A quarentena acabou e a reabertura pode nos levar ao caos

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A quarentena já não existe. As pessoas estão nas ruas, o comércio funciona à meia porta, algumas repartições públicas seguem funcionando. Infelizmente o Brasil optou, mesmo que não oficialmente, por tentar manter um ar de normalidade, que esconde na verdade, a negligência com a pandemia do coronavírus.

O momento é de extrema atenção e mesmo assim as autoridades brasileiras batem cabeça na adoção de medidas de restrição. Além disso, onde as medidas são adotadas, há uma dificuldade de fiscalização no cumprimento pela população. 

É um problema do Brasil. Aqui é difícil fazer algumas leis “pegarem”. O povo não cumpre a quarentena. Ou por precisar sair para trabalhar, pressionado pelo patrão e a necessidade de sobrevivência, ou simplesmente, tenta levar a vida dentro de uma certa normalidade. Fora os casos onde é impossível pensar em isolamento social, como nas comunidades. 

E assim, o número de casos aumenta fortemente, os sistemas de saúde vão colapsando aos poucos, e os mortos se amontoando em necrotérios que já são improvisados, inclusive.

O presidente segue negando a letalidade do vírus, e acredita que é possível uma reabertura econômica, que já existe oficiosamente. Semana passada saí na rua e vi lojas de redes de vestuário abertas. Não me parecem setor essencial. Mas à meia porta, tudo vai reabrindo.

O isolamento social em São Paulo reduz a cada dia que passa. Houve por aqui a ideia de se realizar um rodízio de veículos mais rígido, para forçar as pessoas a ficarem em casa. Mas eu pergunto: será que combinaram com os patrões? Os patrões aceitam a ideia de deixar seus funcionários em casa?

A ideia de colocar a economia à frente da vida vai acabar com a economia. Mas nossa elite não enxerga isso, porque são exploradores. É um dos grandes problemas do Brasil. Sequer temos burguesia. Nossos “burgueses” são tatatataranetos de senhores de engenho. O pensamento da nossa elite é escravocrata, e nos levará a ruína.

Com um sistema de saúde que sempre foi deficitário, como imaginar que conseguiremos combater o vírus sem o isolamento social? Mas seguimos sem rumo. Sem governo, sem saúde, sem empatia. E, sem empatia, chegaremos ao caos.

Bruno Oliveira - Professor e blogueiro iniciante. Licenciado em História pela Universidade Bandeirante de São Paulo - UNIBAN. Especialista em História, sociedade e cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP. Licenciado em Pedagogia pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID. Criador do Pensando bem.

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